quarta-feira, 7 de março de 2012

Humano ser

Hum, meu mundo era em mim
Ruim, ser humano assim
Humano, ser ruim
Humanismo sem fim
Humo hoje enfim

A.N.

Bairro São Domingos ...

São Domingos de Sol
São Domingos...
São só solares
Só Lares
Sol ... Ares..



(Eu)



sábado, 27 de agosto de 2011

Loucura e/ ou genialidade admirável ...


Imagem: Suicídio, de Édouard Manet, 1877

Este é um post antigo dum amigo meu...
Pra mim, isso fala tanta coisa sobre arte...
esses dias lembrei dessa história muy louca...


  
Encontrado morto no próprio apartamento, o renomado artista (nome do artista), que se suicidou em meio à própria arte.
Foi descoberto pelos amigos que, após tanto tempo sem notícias (além do normal; o artista era dado a desaparecimentos longos e repentinos), fizeram que o porteiro – também desconfiado por não tê-lo visto sair ou voltar há tempos – abrisse a porta.
“não consigo entender!” – diz sua melhor amiga (nome da amiga) “ele estava tão feliz a última vez que nos falamos...”
“era de se esperar” – relata um de seus antigos professores de artes – “ele sempre me pareceu um desequilibrado... Até que viveu bastante.”
O laudo médico relata que:
“o indivíduo (características pessoais) cometeu suicídio à xx horas, do dia xx  no mês xx deste ano, tendo procedido a estranha façanha de inserir um pincel no cérebro e em seguida outro no coração, morrendo certamente com muita dor e sofrimento, ficando por dias agonizando” (doutor [nome do doutor] – médico do IML)
Vem sendo veiculado na internet, milhares de vezes por minuto, um vídeo com um compacto das últimas semanas de (nome do artista), onde percebe-se que este já não estava mais em poder de sua sanidade, falava com alguém que não estava lá e tinha comportamentos desconexos e sem sentido.
Seu  psicólogo (nome do psicólogo), informa que o artista vinha tendo “crises de inspiração e instabilidade emocional e de humor, e alegava ter encontrado a musa”  – o que foi apontado pelo especialista como transferência afetiva deste para um personagem fictício.
Assim, termina tragicamente a vida de um dos mais célebres expoentes da nova arte mundial... Uma perda inestimável para a humanidade, posto que destruiu todas as obras originais (permitia apenas cópias nos museus), não sobrando nem mesmo esboços ou anotações, apenas seu corpo estirado como uma pintura surrealista macabra, todo sangue, fedor  e tintas enterrado em si.
Qual terá sido seu último pensamento antes de morrer?
--------------------------------------------------------------------------------


            ...pus-me a pintar, freneticamente.
Há dias, semanas, já nem sei... não tenho mais noção de tempo.
Estou possuído pela Musa, não consigo não ver suas cores, seus contornos e não tentar reproduzi-los.
Tudo em vão; meus dons não me permitem alcançar a beleza superior da própria.
Desesperado, ponho-me a destruir todas as tentativas e também qualquer outra tela anteriormente feita...
“Lixo! Tudo lixo!”
“Onde está a verdadeira arte que me permitirá tocar tal perfeição?”
Ponho-me a tentar tudo: recortes, colagens, mesclas, produtos inflamáveis, fluídos diversos, carne humana, sinais diabólicos...
“Nada... aumentando a produção de lixo...”
...
Em meio a lágrimas, tintas e uma miríade de líquidos embolorados, arranco mais uma última tela limpa.
Lanço-lhe frouxas pinceladas, totalmente desesperançado, apenas deixando o braço atingir a alvura à frente.
Algo porém parece estar se formando... tento não pensar o que é, e por isso fecho os olhos.
Sinto o coração galopar como um corcel furioso, as chamas consumindo o caminho, e a mente arder numa febre vertiginosa e letal.
Prossigo.
Já não sinto meus movimentos nem a mim mesmo; sou meu pincel, minha tinha e minha tela.
Estou a tornar-me minha própria arte... “A Ascensão”, irei chamá-la.
Jamais poderei pintar minha Musa melhor do que é, então, deixo-lhe este presente... em agradecimento por tocar-me tão fundo a alma.
Penso que ela se agradará do resultado... foi o ápice de sua inspiração sobre mim...
* uma das narrativas criadas com base os últimos momentos do artista veiculada na internet (leia assistindo ao vídeo – [link para o vídeo])

terça-feira, 19 de julho de 2011

A Bota e o Botão



Minha Abrupta Bota

Só Seguia Sua Rota

Com Pressa ao Caminho

Pisou Todo Espinho

Sem Reparar Então

Que no Ríspido Chão

Nascia um Belo Botão ...

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Voar & Voirrrrrr





Aqui, no meio da tarde
Com a carne a congelar
Querendo a alma voar
Com idéias soltas ao ar
Aqui estou só em parte
Lanço-me destarte
à fuga dest’arte
saindo desse lugar
...
E nesse meu viajar
Vejo a vida e a morte
Cada qual a falar

Que tudo é só um sonho

Que sou um ser bisonho

E É UM PERIGO ACORDAR ....





"Você pode não acreditar nisto
Mas há as pessoas
que passam pela vida com
muito pouca
fricção de angústia.
eles se vestem bem, dormem bem.
eles estão contentes com
a família deles.
com a vida.
eles são imperturbáveis
e freqüentemente se sentem
muito bem.
e quando eles morrem
é uma morte fácil, normalmente durante o
sono.
você pode não acreditar nisto
mas tais pessoas existem.
mas eu não sou nenhum deles.
oh não, eu não sou nenhum deles,
eu não estou nem mesmo próximo
para ser um deles.
mas eles
estão lá ...
e eu estou aqui."

(C. B.)

Era um Sonho da Era


De um sonho brilhoso, a um dia fosco
Em pálido gozo, via-se tosco
O mesmo moroso, marasmo no ar
Um quiasmo a pesar, que asno a pensar
Apesar de que asmo, era esse voar
Visou desvendar o mar do acordar
....
Ah-Mar ! Que bom quando não impera
A alternância sincera em sua maré
Fizera incógnita deletéria ...

É idéia funérea, etérea e sem fé
Sublima a matéria, do que era e não é
Não é essa a quimera, do ego à espera
Mas mera merda esmera minha era.

Apenas mais um dia




... E mais um dia, levanto em espanto...

E em pranto desfeito o podre leito

 Mostra o desencanto do meu pleito

 Foi-se meu direito, meu respeito

 Só canto num canto desse jeito
 Ainda que em um efeito, como um quantum
E quanto ao despeito, não o aceito
Mas guardo no peito todo asco
por ser sujeito de um fim carrasco
a ter que engolir, sorrir pro fiasco
de viver no casco, longe do cerne
assemelho-me a qualquer verme
que dessa terra é a repugnância
é o que se manda e então, requer-me...
vomitar todo o querer e a ânsia
em matar pra viver, cada ganância.







domingo, 24 de abril de 2011

TOTAL(MENTE) :






+Total(mente) !
Nas profundezas do sheol




+De repente,
pensei ter visto um morpheu



+ Existente,
porém, o nada; só eu e o breu
A vida andou calada, a alma faleceu






+ Inconsciente !
Traçei a estrada; eu, afastada do sol







+ Finalmente !
Veio a penada, presente à malograda
É então chegada, a pena ao moratório

e eis-me chocada, com a cena ao purgatório !






+ Quebrantada !
Dúzia a cilada. É tão multifurcada..
É sim fim cada. Mas dúbia a cruzada ...






+ Esmagada !
Eu queria ver o céu, do real fui em prol,
Mas me vi só; esmagada por um zimbório








+ Tomando o fel !
Do território onde o caos é elevatório
Indo ao léu, buscando um oráculo
E não ouvindo algo notório
delirei, vendo um filme ilusório
de entrada irrestrita a um tabernáculo.














Eu.

..

domingo, 3 de abril de 2011

S``o´´L





À luz das barras do dia
Quando acordar-se-vos-ia
Vinha uma manhã sombria
um forte escuro nascia




Então, no dia do talvez
à vista, lívida tez
vendo o que a vida fez
vedastes em avidez
a vista com que vedes


E eu, longe da claridez
levantei-me desta vez
aceitando andar no umbral
onde a verdade é um punhal


Ao olhar, sequer um sinal
de sol advindo a final
 só avindo em modo total
 um truncado perscrutal 
  

É a cegueira na avenida
sujeita desconhecida
sujeita a qualquer ferida
à sujeira da vida 


Entre seres, esbarrante
Indiferentes adiante

a ir como vós, à altivez

e eu  à minha pequenez.